Novidade à vista


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As incontáveis, e sempre bem vindas, antologias de João Cabral de Melo Neto trazem sempre fôlego novo à sua poesia, na medida em que atualiza às novas gerações a obra desse incontestável gênio das nossas letras.

A mais recente, destinada aos jovens estudantes, tem seleção de Regina Zilberman. João Cabral de Melo Neto Poemas para Ler na Escola, editado pela Objetiva, destaca poemas menos conhecido do repertório poético do autor de Morte e Vida Severina.

Essa é a segunda antologia em pouco menos de três anos que a editora Objetiva fez da poética do escritor Severino. A primeira, um primor de livro, saiu em 2007 pelo selo Alfaguara, e trazia poemas de cunho autobiográfico, recheado de fotografias do escritor na intimidade do lar. Um saboroso petisco para os admiradores da vida e da obra desse grande poeta.

A julgar pela disposição da editora, não será nem um pouco arriscado prevê para daqui a mais dois anos uma terceira ou quarta repaginação das sempre inquietantes vozes que ecoam das páginas dos livros do maior poeta da literatura brasileira. Oxalá se repita esse projeto revitalizador. As próximas gerações de leitores agradecem.

Enredo rodriguiano: o espetáculo impecável de Bruno

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O texto a seguir saiu hoje no Cinform de Aracajú, foi escrito por Téo Júnior* e reproduzido aqui com a devida vênia. Desde já eu agradeço ao Téo pela colaboração.


É de amargar a boca os meandros da tragédia protagonizada por Bruno Fernandes – na realidade um animal da pior espécie – que atuava no Flamengo (acaba de ser demitido), era influente, rico e possuía, até o mês passado, expectativas de jogar na Europa, de quintuplicar seu salário e de atuar na próxima Copa. Impressiona-nos que o mundo deste rapaz tenha caído quando ele conta 25 anos apenas, sem que houvesse tempo hábil para sua carreira deslanchar. Foi como um grande castelo de cartas, que ao menor sopro vem abaixo, em fração de segundo. No presente momento, Bruno – coitado! – desempregado, preso e repudiado pelo país, conhece a antessala do inferno.

É aquele velho clichê do pobrezinho favelado que fica rico de uma hora para outra. Esses indivíduos, uma vez reconhecidos e admirados, não raro revelam-se portar um desequilíbrio emocional bastante elevado, procurando compensar – ainda que inconscientemente – antigas frustrações e privações, comportando-se de modo infantil e disparatado. Adquirem amiúde uma personalidade narcísica e agem sem pesar causas e consequências, julgando-se invencíveis. Às vezes, o desfecho é fatal.


LISTAGEM DE HORRORES


Tudo bem que Eliza Samúdio não fosse nenhuma flor que se cheirasse, tendo inclusive participado de filmes do mais baixo nível – mas a maneira com que foi assassinada não tem paralelo com nenhuma outra que eu conheça. Fora asfixiada por braços fortes, sem capacidade para defender-se; subjugada por mais de um homem, justamente para não haver chance de sobrevivência. Se não bastasse, seu cadáver fora devorado por cães já treinados para fazer misérias. Como salientou o velho Tirésias em “Antígona”, “não há vantagem alguma em alguém morrer duas vezes”. Nesse desdobro, vem à luz o abandono de Elisa, na infância, pela mãe; a reputação do pai (acusado de pedofilia); a do irmão de Bruno (estuprador, preso); a esposa do jogador (a oficial) também está vendo o sol nascer quadrado há um tempinho. Consta que o pai de Bruno, já falecido, era ladrão. A listagem de horrores dessas duas famílias parece não acabar nunca. E isso tudo nos remete a um grande palco, onde assistimos às piores catástrofes, alimentando em nossa alma a ideia vã de que essas monstruosidades habitam apenas o mundo fictício dos grandes autores, e não a vida real.

Quando Nelson Rodrigues montava suas peças, diziam-se horrores a seu respeito: ele era o “tarado”, o “imoral”, o “pornográfico”. Onde alguns poucos enxergavam nele o gênio inconformado com a condição humana, outros viam o “maluco” que precisava ser ignorado a todo custo, porque ele escrevia sobre pessoas “doentes”, “contaminando”, destarte, as sagradas famílias brasileiras.


ENREDO MACABRO


Pois com todo o talento dramático que possuía, cuja força motriz era sempre a violência, o sexo desenfreado e as paixões avassaladoras, Nelson em quarenta anos de profissão não fora capaz de criar uma história tão fétida como a que estamos assistindo, porque ele devia crer que, por pior que fosse, o homem não chegaria a tais extremos. Ao publicar “Álbum de Família”, em 1945, recebera um tratamento tão agressivo e tão vil como se ele fosse não apenas o doido alegre da casa – mas a própria encarnação do demônio. O texto ficou 22 anos sob censura, devido ao seu conteúdo – sua fama de “anormal” começou ali. Esta peça aborda uma família como qualquer outra – vista a olho nu, todavia se observada com uma lupa, podemos acompanhar sua degradação moral ocorrendo paulatinamente, como se nós, leitores ou expectadores, fôssemos uma criança hipnotizada visualizando um enredo macabro pelo buraco da fechadura: irmãos se amando em desespero, uma mãe enamorada de seu filho, um pai que deseja em segredo a filha etc. Nelson pôs o dedo no delicado tabu do incesto sem se esquecer da selvageria gratuita praticada pelas bestas-feras. Esse material aparentemente tão nocivo à comunidade, que teve a audácia de exibir indivíduos cujos impulsos num primeiro instante permanecem recalcados, para depois se aflorarem de maneira abrupta, é um conto de fadas perto do escândalo que envolve o goleiro Bruno.

A sociedade, sempre se esforçando ao máximo para parecer digna e sadia, não suportou outrora a relevância de uma obra de arte, preferindo fechar os olhos. Hoje, os srs. Bruno Fernandes e “Macarrão”, o coadjuvante, empurram nessa mesma sociedade goela abaixo as entranhas de suas ações inomináveis, e ela é obrigada a enxergá-las, a toda hora – queira ou não queira. Bem feito!

Temos aí um caso impressionante da vida real deixando a ficção comendo poeira. Se fossem atores, e se seus desempenhos fossem projetados no cinema – não duvidem – ambos estariam no mínimo cotados ao Oscar, e fariam a fama e a riqueza de qualquer autor ou diretor que trabalhasse com eles.

Quando eu era criança, ouvia falar que o que distingue o gênio do medíocre é que o gênio está sempre à frente de seu tempo. Trinta anos depois de sua morte, o maldito teatrólogo vinga-se agora. Estejamos certos de que os sábios são realmente eternos. Os personagens Eliza Samúdio, Luiz Samúdio, Bruno Fernandes, Rodrigo Fernandes, “Macarrão”, Marcos “Bola” e Dayanne Souza eram “normais” até outro dia, até que a cortina que lhes protegia se abriu ao grande público e suas máscaras caíram totalmente. Aplausos para Nelson!



[*] Professor do Dep. de Letras da Universidade Federal de Sergipe.
Contato: teocte@hotmail.com



SUGESTÃO DE LEITURA:

Álbum de Família”, tragédia em 3 atos

Autor: Nelson Rodrigues. 107 pgs.

Edit. Nova Fronteira

VIVER É UMA EMPRESA DE RISCO

Ele fez da vida

uma empresa de risco.

Não a entendia

sem o perigo.

Lançou-se à sorte

Como quem mesmo

Despencou do alto

De uma montanha.

Desassombrado

desafiou o medo

Que faz de cada homem

Um ser cativo.

A uma geração, que teme

E empalidece à sombra,

De algum facínora,

Deixou seu testamento,

Onde consta a saga.

MARLYSE MEYER (1924-2010)


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Morreu ontem, segunda-feira (19), aos 86 anos, a professora, crítica e ensaísta literária Marlyse Meyer, de parada cardíaca. Alguns de seus livros abordam os temas da cultura popular como Caminhos do imaginário no Brasil editado pela Edusp. Outros de seus livros saem pela Cia das Letras, que em seu blog presta uma última e merecida homenagem à escritora.

PERGUNTAS INCÔMODAS

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A falta de coragem, esse indistinto traço da natureza humana, nem sempre deixa os homens dizerem o que sentem. Quase sempre, lhes sobra na boca o essencial, visto que omitem seus mais fundos desejos. Outros homens, no entanto, não são tão tolerantes, ao ponto de viverem com suas bocas sempre castradas, dizendo umas e, escondendo outras palavras. Esses, além de dizerem sempre o que vai por suas cabeças, por vezes, também, como quem não quisessem falar sozinhos, lançam perguntas que têm entre outros efeitos, imolar as consciências tranquilas. Por pudor, medo, ignorância, ou mesmo por falsidade não fazemos algumas perguntes que possam incomodar, mas que se fossem feitas corajosamente poderiam mudar o curso das coisas. Essa coragem tem apenas alguns homens, que como os demais, talvez tivessem medo, pudor, mas superaram suas fraquezas rejeitando qualquer conformismo que comprometesse a dignidade humana. Esses são imprescindíveis.

O ORÁCULO DESSA COPA

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Quando entrar em campo no próximo domingo os holandeses terão, mais de um adversário para bater. Eles entram com a árdua tarefa de desmistificar as bruxarias do polvo Paul, que já decidiu, quem levará o inédito troféu de campeão do mundo para casa, serão os espanhóis. Espero que os holandeses não se sintam dispensados por isso em tentarem conquistar o seu primeiro título. Carrasco dos alemães nas semifinais, o polvo Paul, tem sido figurinha em todos os jogos dessa Copa, profetizando os vencedores das partidas de futebol. Até agora ele não errou nenhum palpite, e mesmo vivendo em terras germânicas, ou melhor, águas, ele não se intimidou e, carimbou o passaporte dos comedores de caraca direto para disputa do terceiro lugar, adiando o sonho germânico de se aproximar do Brasil em número de títulos no campeonato mundial. Se fizer valer a sua fama de profeta aquático o polvo antecipa assim a nossa vingança contra a laranja mecânica.

DISCUTÍVEL POLÊMICA

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A edição de julho da revista Playboy Portuguesa, nem bem saiu e já se tornou o centro de acalentadas discussões, que giram em torno da liberdade de expressão e o respeito à fé alheia; equação de difícil equilíbrio no mundo moderno, quase sempre regido por valores movediços.


O motivo da celeuma se deve ao tema da revista desse mês, que traz na capa um Jesus Cristo sentando numa cama amparando nos braços uma mulher, que como é próprio dessas revistas, aparece seminua. Na cabeceira da cama lê-se o título do livro do escritor português José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

O alegado motivo da capa, segundo o editor da revista, foi prestar uma “última homenagem” ao escritor morto no último mês de junho em razão de complicações em sua frágil saúde.

Mas se a imagem da capa mexeu com os brios de muita gente, as que surgem no interior da revista esquentam ainda mais a polêmica. Nelas podemos ver, entre outras fotos, Jesus observando duas lésbicas trocando carícias.

A homenagem ao escritor não agradou muita gente, nem mesmo a empresa mãe que anunciou, assim que soube da publicação, seu desacordo com o tema da revista.

Alegando não ter tido conhecimento prévio da polêmica imagem, a vice-presidente da Playboy Entertainmente, Theresa Hennessy disse que se trata de "uma violação chocante das normas" e que "devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o acordo". Por essas palavras entende-se que a matriz da revista não concorda com o tema e ameaça com rescisão a edição portuguesa da revista, que atua em Portugal a pouco mais de um ano e meio; a primeira edição saiu em março do ano passado.

Esta lançada à polêmica, com ela semeia-se a discórdia e por fim um produto francamente sofrível como são as revistas que exploram a nudez feminina, dão um salto momentâneo, naquilo que mais lhes interessam, as vendas.

As razões da polêmica são discutíveis. Para muitos elas não passam de uma armação, entre a revista portuguesa e a sede americana que ameaçando fechar a sucursal, incendeia a discussão para impor a repercussão do caso, e assim, promover a revista, que segundo informa a imprensa portuguesa vive momentos de grande dificuldade.

Decididamente José Saramago merecia melhor homenagem. Uma por exemplo, que não tivessem que relacionar o seu desentendimento com os dogmas da Igreja, com fins comerciais de uma revista masculina.



A CASA TOMADA (DUAS VERSÕES)


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CITAÇÃO 4

"Não é possível conhecer a alma, a índole e as ideias de um homem , antes que ele as manifeste no exercício do poder e na elaboração das leis"

"A esperança do lucro leva, muitas vezes, os homens à perdição"


"Entre os homens, nada há como o dinheiro para gerar maus costumes. Ele devasta as cidades e expulsa os homens de seus lares. Corrompe até o coração dos bons e ensina-lhes práticas torpes. O dinheiro induz os homens ao crime e estilo-lhes na alma toda sorte de impiedades"


"Guarda, pois, de te apegares a um só modo de pensar, crendo que o que dizes, e por seres tu que o dizes, exclui qualquer outra possibilidade de ver e sentir as coisas"


"...feias quedas dão os homens, até os mais astutos, quando, movidos por vis interesses, entrajam com belas palavras os seus pérfidos pensamentos"


"Para os cegos não há outro caminho que o do guia"


Excertos do último livro que li, Antígona. Tradução de Domingos Paschoal Cegalla.

RESSENTIDOS


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Com exceção de alguns intelectuais e religiosos portugueses, a notícia da morte do escritor José Saramago (1922-2010), consternou uma legião de fãs no mundo inteiro.

Notável romancista, José Saramago deixou-nos uma obra maiúscula que, em tudo dignifica a tradição literária portuguesa que nos legou autores como o Pe. Antônio Vieira, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz e muitos outros.

Foram mais de dezoito títulos entre romances, contos, teatro, poesia e diário, destacando, quase sempre, a sua indizível insatisfação com a opção do homem contemporâneo em estreitar a sua perspectiva quase ao nível da cegueira absoluta. Entre os seus títulos mais conhecidos estão, Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira e o polêmico O Evangelho de Jesus Cristo.

Não faltam nessas obras o traço personalíssimo do gênio, nem as marcas de sua juventude pobre e uma profunda indignação contra a sociedade portuguesa, descrita por ele em correspondência com o amigo José Rodrigues Miguéis, sem piedade nem reserva de qualquer natureza, como tacanha. “Há dias fui ao jantar de entrega do Prêmio Camilo à Isabel da Nóbrega: é de morrer. Tanta impostura, tanta falsidade, tanto esforço para parecer mais inteligente que o vizinho, e sobretudo mais célebre. E tudo isto sob a capa de modéstia jesuítica, uma capa cheia de buracos de orgulho e de inveja. E esta gente é a nata, e esta gente conduz, orienta, dá entrevistas, pontifica, tem opiniões acerca de tudo e de coisa nenhuma”.

Por sua maneira controvertida de contradizer a versão oficial, sublinhada pelo vezo inconformista de quem não nada com a corrente, pelo seu inegável apreço à verdade, que não lhe deixava quieto, quando os outros empregavam eufemismo diante de fatos dolorosos; José Saramago granjeou inúmeros desafetos na sociedade portuguesa.

Tais incomposturas desse autor, diante de uma sociedade cuja elite abdicou há tempos de respeitar e ser respeitada, não foram perdoados, nem mesmo após a sua precoce partida. Sobram, nesses dias em que inúmeros admiradores estão enlutados, incontáveis discursos, seja nos jornais ou na blogosfera, contra sua persona política-literária, contestadíssima.

Periódicos e blogues portugueses reservaram àquele que foi o único autor da língua portuguesa, laureado com a maior distinção da literatura, o Nobel, um diminuto e ridículo espaço, que mal disfarça a indiferença com que Saramago sempre foi tratado em sua terra natal.

Críticas imerecidas preferem destacar, ante a criatividade e a imaginação fértil que celebrizou o autor de Levantado do Chão, a predileção por uma linguagem barroca, bem como a displicência com a pontuação ou a completa indiferença as estruturas convencionais da narrativa, como obstáculo a leitura, esquecendo-se que isso nunca foi empecilho aos números leitores apaixonados, que Saramago conquistou em décadas de ofício literário.

Para o jornal Correio da Manhã, popular jornal de Portugal, a passagem do maior autor contemporâneo da literatura portuguesa não teve a menor importância. Prova disso foi a quase omissão em suas páginas da morte do escritor que, quando apareceu mereceu o mesmo destaque na capa do jornal que um “professor que mostra pênis e dá aulas”. Lamentável. Pior do que isso, somente a recusa do presidente Cavaco Silva em comparecer a despedida do maior nome da cultura portuguesa no exterior.

Tanta indiferença ao mais destacado gênio da cultura portuguesa, me fez lembrar a nossa imprensa na ocasião da morte do maior artista de nossa época, Paulo Autran. Na semana em que morreu o ator, em que foram anunciados os ganhadores do Nobel, Tropa de Elite foi sucesso antes mesmo de estrear no cinema, e, estreando, arrebentou – o destaque da capa de Época, revista da editora Globo, foi o furto do relógio do apresentador Luciano Hulk. Em matéria de notícias desinteressante, portugueses e brasileiros rivalizam caninamente.

A relação de Saramago com a sociedade portuguesa nunca foi fácil, ele nunca se afinou com as bases da elite e por isso pagou um alto preço. A cobertura da imprensa e a repercussão de sua morte são reveladores dessa relação, pra lá de conflituosa. Sua versão pouco favorável da maledicência dos poderosos, seu questionamento a castidade da sociedade lusa, bem como seu desacordo com os dogmas religiosos, tão arraigados na cultura portuguesa, mais a sua proverbial feição ao comunismo, nunca foi bem digerida pelos conservadores. Ela acabou de azedar de vez, quando na década de 90, depois que Sousa Lara vetou a candidatura de O Evangelho segundo Jesus Cristo a um importante prêmio da literatura européia.

Tanta indiferença acabou por empurrá-lo de vez para o auto-exílio nas ilhas Canárias, onde viveu os últimos anos ao lado de sua mulher Pilar Del Rio. Imperdoável em sua maneira de pensar e agir, Saramago, manteve-se a distância, mas preservou a pena e a consciência crítica ativa.

Não se admira que, em se vendo pintada de forma tão desfavorável, essa sociedade, refletida nos livros de Saramago, deva-lhe render qualquer homenagem. Se, no entanto, não podemos esperar qualquer gesto de reconhecimento desse tempo ao gênio de um artista como Saramago, resta-nos o conforto de saber que as próximas gerações, bem menos ressentidas do que essa, saberão julgar o escritor e o homem com a devida justiça. Assim esperamos.