O que me afeta

Foto: Sebastião Salgado
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Há um componente subjetivo nas fotografias. Barthes chamou esse componente de punctum. Ele diz que há nas fotos algum elemento que nos afeta, que nos toca, que nos fere. Esse elemento pode ser os sapatos de uma pessoa, o chapéu de outra ou qualquer coisa que esteja na foto e nos hipnotize o olhar.

O punctum é individual, cada espectador é afetado de maneira diferente por ele. O chapéu na cabeça de um homem pode ser o punctum para um espectador, como também pode não ser para outro que tem o olhar voltado a outro elemento que lhe toque. Cada um pode-se dizer, confere um significado íntimo às fotografias que vê, imprimindo-lhe sentido através das coisas que lhe fere, que lhe toca, que lhe afeta mais do que outras.

Quando vi pela primeira vez a fotografia que ilustra esse post de Sebastião Salgado, uma coisa presente nela me tocou profundamente.

O que me afetou, ou seja, o meu punctum? São os indivíduos no primeiro plano. Há neles algo contratante que me sugere a ideia de sociedade e das injustiças flagrantes que a caracterizam. Um dos homens está quase nu. É despossuído, um flagelado, uma vítima da sociedade de classe. O outro veste as insígnias do Estado (Bota, farda, quepe e o sempre muito persuasivo cassetete) que oprime e tenta controlar o individuo insubmisso.

Mas há algo mais na foto que me afeta. A posição do fotógrafo no momento de fazer a foto. Ele se posiciona de maneira a dar dignidade ao despossuído. Ele o flagra de baixo pra cima e faz isso bem no momento da reação contra a agressão do "Estado", entenda-se do policial. Há na foto uma força metafórica que explicita de maneira ilustrativa o que é a sociedade que vivemos e como ela age contra aqueles que ousam desobedecê-la. Há também uma mensagem de esperança de que é possível lutar contra, mesmo quando você parece privado de qualquer bem capaz de reagir à altura: resta-lhe a coragem e a força de vontade.

Está é uma foto em tudo excepcional. Por isso, desde já, ela é uma das minhas prediletas.

Ponte Singers: Pilgrim's Chorus (Tannhäuser) by R. Wagner



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Wagner me arrepia. Sempre que ouço o Coro dos Peregrinos sinto uma força incontida dentro de mim. Como uma vontade de potência.

Agora, ó Santa Casa, posso olhar
Feliz por saudar suas belas pastagens.
Doravante descansa meu cajado de
peregrino.
Ó Senhor, eu fiz fielmente a
peregrinação.
Pela penitência e pelo arrependimento
Reconciliei-me com os homens e entreguei
Meu coração.
Foi meu arrependimento coroado com
bênçãos.
Que Minha Música seja ouvida pelos
homens.
A graça da salvação é concedida ao
penitente
Ele vai em paz e abençoado.
O inferno e a morte eu não temo
Pois, na minha vida inteira está próximo
o Senhor.
Aleluia! Para sempre!
Aleluia! Para sempre!
Salve! Salve!

































A Graça Milagrosa, Salve!

Manipular imagens: Uma prática política

Alterar fotos para encenar realidades inexistentes é prática frequente de alguns fotógrafos. Essa alteração pode ser técnica, quando se manipula as imagens adulterando os conteúdos no processo de impressão, ou pode ser cênica, quando se mexe na cena que se vai fotografar sugerindo-lhe uma cena inexistente, mas de maior teor dramático e impacto. No excepcional O Instante Certo a escritora Dorrit Harazim nos apresenta alguns exemplos de fotógrafos que se notabilizaram para história com grandes trabalhos, mas que também eram manipuladores desavergonhados. Durante a Guerra Civil americana os fotógrafos Alexander Gardner, Mathew Bradey, Timothy O´Sullivan e Andrew Joseph Russel constituíam o quarteto que alimentava os jornais de imagens dos horrores do fronte. Não raro estes fotógrafos, escreveu Dorrit, “ajeitavam com a mão a realidade, recriando cenas para lhes insuflar mais impacto ou para compensar a limitação tecnológica e a dificuldade de chegar ao local no momento da ação”. Como algumas câmeras exigia exposição de até oito minutos “tornou-se pratica não pecaminosa recriar cenas das batalhas já ocorridas”. As imagens eram vendidas ao público como flagrantes reais da carnificina. Outro grande manipulador era o norte-americano Edward S. Curtis. No monumental registro das tribos indígenas sobreviventes aos massacres que dizimaram nações inteiras de povos nativos Americanos, ele tomava o cuidado de apagar dos registros as marcas da modernidade e do contato do nativo com o colono que pudesse macular o seu projeto de mapear índios autóctones. É celebre uma de suas fotografias em que ele apaga do interior de uma tenda de um velho líder indígena um relógio que estava ao lado dos índios e sugeria o contato dos índios com os homens brancos. Há também outra forma de manipulação. Durante o regime do “Grande Timoneiro” a Rússia Comunista viu uma forma de manipulação que se tornou comum. Membros do partido comunista Soviético eram  pouco a pouco apagados das fotos oficiais com Stalin à medida em que se tornavam desafetos do regime. Há uma foto famosa que mostra esse processo de apagamento da história. Na primeira foto vemos: Nikolai Antipov, Stalin, Sergei Kirov, Nikolai Shvernik, e Nicolay Komarov. A foto foi feita em Leningrado em 1926. Décadas depois os lideres à volta de Stalin foram pouco a pouco sento apagados das fotos oficiais até restarem apenas Stalin e Sergei Kirov. Hoje isso seria mais difícil de acontecer, mas há uma forma de manipulação que estar em curso e ganha mais e mais adeptos. Há sempre novas formas de manipulação. Agora os líderes decidem quando, onde e como são fotografados. Todos eles têm seus fotógrafos oficiais e não se deixam fotografar fora do script determinado por seus marqueteiros e publicitários. Uma imagem mal intencionada ou um deslize nas encenações programadas pode por a baixo todo um trabalho de construção de imagem pública. Ninguém quer ser apanhado em flagrante de si mesmo. As imagens construídas pelas cabeças dos marqueteiros são as únicas admissíveis pelos políticos atualmente. Assim sendo, os políticos passaram a ser os donos de suas próprias imagens não deixando margem à interpretações e miradas indecorosas de fotógrafos não alinhados aos seus propósitos. 

Meu pai

Minha mãe me ligou hoje para dizer que o meu pai havia morrido. Eu sabia que ele estava gravemente doente. Nos últimos tempos ele que sempre esteve ausente, ligou para o meu irmão, que é mais remediado do que eu, para lhe pedir dinheiro para um tratamento de câncer. Isso tem 4 meses. Até onde soube ele estava se tratando. Mas hoje, a sua prima, que cuidava dele, o encontrou morto. Nunca tive grande intimidade com ele. Éramos distantes. Não porque havíamos brigado; simplesmente porque nunca chegamos a ser de verdade uma família. Ele era um homem sem brios. Um tipo todo mal talhado para a vida em família. Os seus únicos prazeres eram a bebida e o jogo. Coisas que abomino. De lá ele tirava os únicos sentidos para a sua vida. A última vez que o vi foi há 2 anos. Ele continuava o mesmo, só que mais maltratado pelo tempo. Nunca em todos os momentos que o reencontrei depois da separação dele com minha mãe, cheguei a sentir qualquer coisa que pudesse ser aproximado com o sentimento de um filho por um pai. Morrerei sem saber que sentimento é esse. Assim mesmo não pude deixar de me entristecer quando hoje chegou a notícia de sua morte. Apesar de nossos desencontros lamento muito saber que ele morreu sem que alguém lhe amparasse a cabeça, segurasse a mão ou escutasse o seu último suspiro. Não desejo a ninguém morte igual. Tudo o que posso fazer agora é seguir a vida e lamentar que as coisas tenham sido como foram para nós e desejar que ele descanse em paz.

Internet e fotografia

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De tempos em tempos rola na internet uma foto que pelo número de curtida que recebe é considerado por alguns como a melhor fotografia de todos os tempos. Dia desses foi esta foto que ilustra o posto a maravilha que assombrava os amantes da “fotografia artística”. Sinceramente, não veja nada de excepcional nessa foto. Ela fica bem em propaganda de automóveis, mais que isto, é forçar, demasiadamente, as suas pretensas qualidades. Imaginar que ela figure como a "mais perfeita do mundo", é no mínimo, um exagero. Um grande exagero. Chamem-me de careta, obtuso, ranzinza, diga-me que estou velho e carrancudo, mas não posso aceitar que isso seja mesmo o melhor que podemos fazer em fotografia, seria um acinte a Paul Strand, William Klein e outros grandes mestres. Posso, porém, imaginar o que faz com que alguns vejam nessa foto algo extraordinário. Em tempos de selfies e das fotografias do prato que vamos comer ao almoço, exibindo-nos a todos como se a sociedade nos tivesse transformado em seres perturbados que retiram prazer de se exibir diante das multidões, alguma coisa que fuja a essa ordem é tido e havido como excepcional. Insisto, uma fotografia que tenha apenas como artifício de valoração a posição em que o expectador a vislumbra, não pode ser tomada como "a mais perfeita do mundo".  Tenho outros critérios para considerar que uma fotografia resultou bem. Um deles são o fato do fotógrafo retirar do plano contingente as coisas e alçá-las ao transcendente. Veja um pequeno exemplo do que digo com esse registo de Henry Cartier-Bresson. A banalidade do cotidiano foi aqui sacudida com a mirada precisa do fotógrafo. H.C.B transformou a arte fotográfica num território onde, como na literatura, só que de um modo ainda mais paradoxal, pensamento e sensação, ideias e imagens, inteligência e sensibilidade, conseguem uma bela e eloquente combinação para reflexão sobre a brevidade da vida e outros temas filosóficos.
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Viva o fotojornalismo

Não tardou para que surgissem polêmicas envolvendo a foto do ano do World Press Photo 2017. Já era esperado. Nenhuma premiação é unânime. Haverá sempre quem pense que a escolha poderia ter sido outra.

A critica mais contundente, partiu do presidente do júri do prêmio, que em artigo publicado no The Guardian, alegou motivos morais para não aceitar a escolha da foto de Burhan Özbilici, que mostra o assassinato do embaixador Russo na Turquia, como a melhor do ano.

Segundo Stuart Franklin, a foto incentiva e amplia a voz do terror no mundo e por isso ela não deveria ter sido escolhido.

Eu discordo. O fotojornalismo tem um papel que vai na contramão da ampliação da voz do terror no mundo. Ele constrange e põe em seu lugar os monstros que insistem em surgir.


Além disso, o fotojornalismo tem o dever de mostrar o que se passa com o mundo. E queira ou não é assim que anda o mundo, com pessoas a atirar contra os seus adversários e se gabando de verter sangue alheio em frente a um maior número de pessoas possíveis.

Camões

Canto I 106/106

No mar tanta tormenta, e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme, e se indigne o Céu sereno

Contra um bicho da terra tão pequeno?

Por que fotografo?

Para dar expressão ao meu sentido estético. 

Para não esquecer

Ir à escola, estar com os amigos e tomar posse da herança cultural que os tempos nos deixaram, deveria ser a coisa mais acessível do mundo. No entanto, não é. Nem sempre há escola para ir. Quando há, nem sempre ela é devidamente acolhedora. Em outros casos, como o que sucedeu nos EUA, a escola se nega a aceitar a cumprir o seu dever.

Foi isso o que se passou em Little Rock, Arkansas em 1957. Naquela data a população local se negou a cumprir uma ordem judicial que dava plenos direitos a alunos negros de frequentarem escolas que outrora eram segregadas.


Na foto de Burt Glinn, vemos um jornalista entrevistando uma das nove estudantes afro-americana tentando frequentar a Little Rock Central High School, após o caso Brown vs Conselho de Educação, ser considerado inconstitucional. As crianças só terminaram aquele ano letivo porque o presidente Eisenhower interveio e mandou para cidade uma junta militar para servir de proteção federal às crianças, contra o ódio de alguns brancos.

Foto: Burt Glinn. Little Rock, Arkansas 1957.

E por falar em turbante


Salva-vidas para os náufragos.

O povo anda pedido nomes para salvadores da pátria. Não faltam eleitos para o posto.

Lá em A Vida de Galileu, Brecht escreveu: "INFELIZ A NAÇÃO QUE PRECISA DE HERÓIS".


Estou de acordo com o dramaturgo.

Com a palavra Miss Paglia

"A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.

O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.

Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político.


Hoje, ensinam aos estudantes a olhar a arte com ceticismo, por seus equívocos, suas parcialidades, suas omissões e ocultos jogos de poder. Admirar e honrar a arte, exceto quando transmite mensagens politicamente corretas, é considerado ingênuo e reacionário. Um único erudito marxista, Arnold Hauser, em seu épico estudo de 1951, A história social da arte, teve bom êxito na aplicação da análise marxista, sem perder a magia e o mistério da arte. E Hauser (uma das influências iniciais do meu trabalho) trabalhava com base na grande tradição da filologia alemã, animada por uma ética erudita que hoje se perdeu."

Retirado daqui 

Interesse

Interessa-me a fotografia centrada nos aspectos artísticos. Por artístico entendo a fotografia que diz muito mais do que aquilo que se pode perceber à primeira vista.

As ilusões fotográficas

Quem gosta de fotografia não pode deixar de pensar que ela, além de encantar, também tem o poder de induzir os espectadores em erro quanto às qualidades das pessoas e objetos fotografados.


Sabem muito bem disso os políticos que hoje não dão um passo sem ter ao seu lado o seu fotógrafo oficial. Ninguém quer correr o risco de ter sua imagem desfigurada por uma foto que sugira o indesejado.

O artístico não exclui o social


Quando falo de artístico em fotografia, algumas pessoas, logo associam isso à exclusão dos conteúdos socialmente relevantes. Nada pode ser mais equivocado do que este pensamento. A fotografia pode muito bem denunciar conteúdos sociais e ainda assim estar carregada de mensagens de índole artística.

Pobreza, violência, desigualdade são temas que importam a fotografia artística. Mas quem a faz, pensando apenas na mensagem imediata, não nos deixa ver que ela pode ir além de si mesma e inscrever-se em um tempo sem idade.

Compreendo que se queira fazer da fotografia uma arma de resistência e denuncia social. Isto é legitimo. Mas apenas mostrar, sem qualquer engenho, os desajustes sociais, não faz da foto um objeto relevante. Mesmo que se queria fazer isso com a melhor das intenções.

As fotografias de Joseph Koudelka da invasão de Praga e as cenas de guerra no Afeganistão de Anja Niedringhaus têm força. Exprimem ideias fortíssimas, a mais importante das quais é a de que a violência é sempre absurda e gratuita. Não vejo esta força que advém da linguagem estética nas fotografias de reportagem de hoje. A maioria delas são meros documentos literais, banais e infelizes em seus propósitos. Servem, quando muito, ao registro histórico.

As fotos de Anja Niedringraus que ilustram este post são poderosas e sobreviverão ao seu tempo, porque além de mostrar elas nos fazem ver os horrores da guerra. Elas são diferentes porque transmitem a mensagem de tal maneira que os espectadores a sinta em dimensão comovedora.


Lições

Há tempos deixei de encarar a fotografia como um passatempo. Hoje a vejo como uma saudável e estimulante forma de enriquecimento pessoal, que por seus ganhos, não deve ser computada nas horas de distração despretensiosa. Não são mortas as horas gastas em perspectivar o mundo e as pessoas que nele vão.

A boa literatura

Há textos que se eternizam. Os anos passam, os homens nascem, morrem e os livros sobrevivem a todos. Por isso que a boa literatura é uma arte atemporal. 

Cyrano de Bergerac é certamente um desses livros. Sua história é simples. Ela narra a malfada sorte de um homem apaixonado por uma mulher. 

Mas o livro não se resume a esse tema tão caro é precioso a literatura: o amor mal correspondido. Ele dá voltas em outros valiosos e indispensáveis temas. 

Um dos melhores momentos da trama, ocorre quando o inabalável caráter do herói, Cyrano de Bergerac, é posto em xeque por um corrupto senhor que o quer servil aos seus desmandos. 

A liberdade individual é então ardorosamente defendida por Cyrano num dos mais lindos e contundentes monólogos da literatura. 

Neste momento histórico em que o Brasil se encontra, esta mensagem deixada por Cyrano, bem nos pode serve de lição para nos recusarmos a vivermos de esmolas daqueles que nos querem sempre bajulando os seus favores.

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Não, muito obrigado!
Mas que fazer então?
Buscar um protetor poderoso, um patrão?
Ser como a hera que enlaça o carvalho robusto,
E lambe-lhe a cortiça e trepa então sem custo?
Usar, para atingir o cimo desejado,
de astúcia em vez de força? Oh! Não, muito obrigado.
Entrar para o canil dos poetas rafeiros,
Como eles dedicar versos aos financeiros
E fazer de bufão para que um potentado
Haja por bem servir? Oh! Não, muito obrigado.
Almoçar, cada dia, um sapo sem ter nojo,
Rustir o ventre por andar sempre de bojo,
Ter a rótula suja e fazer menos mal
Prontas deslocações da coluna dorsal?
Não, obrigado. Trazer o incensório suspenso
A um ídolo que viva entre nuvens de incenso?
Ganhar celebridade, aplausos e coroas
Num círculo de trinta ou quarenta pessoas?
Navegar, tendo em vez de remos madrigais
E, a tufarem-se a vela, os suspiros fatais
Das velhas, num derriço? Não, muito obrigado.
Ganhar fama de autor por haver publicado
Meus versos, mas pagando o livro aos editores?
Não, obrigado. Viver de esmolas e favores,
Como fazem alguns sandeus? Ver se alcanço renome
Com um soneto, se tanto, em vez de fazer mil,
Achar muito talento em qualquer imbecil?
Não, obrigado. Ter medo aos jornais, ser amigo
De elogios, dizer de mim para comigo:
“Ah, se o meu nome sair no jornal deste mês”!...
Calcular, ter na face impressa a palidez
Dos poltrões, preferir fazer uma visita
A bordar, carinhoso, uma estrofe bonita,
Ser da matilha, hedionda e vil, dos pretendentes,
Redigir petições e mendigar presentes?
Não, obrigado. Não, obrigado. Não, obrigado.
Mas...cantar. Mas viver num sonho alcandorado,
Calmo e feliz, o olhar seguro, a voz vibrante,
De quando em vez e, por capricho, petulante,
Por de trevés o feltro, e por um quase nada,
Dar um beijo na Musa ou dar uma estocada.
Nem um verso escrever que a mim me não pertença,
E apesar disso tudo, uma modéstia imensa:
Pagar-me com uma flor, ou um fruto apetecido,
Contanto que no meu pomar seja colhido,
E se enfim algum triunfo vier, mediante a sorte,
Não devê-lo a algum César por ser parte da corte.
E, em suma, desdenhando a hera vil que se esconde,
Não conseguindo ser o roble, cuja fronde
Mora perto do Azul e distante do pó,

Subir pouco, mas só, completamente só.

Licenciados em coragem

Na foto: Zoraide Portela, Fabíola Manoela, Eu e Zélia Malheiro.
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Eu tenho um grande orgulho dos meus alunos. Quase todos têm que vencer um leão por dia para continuar a perseguir o sonho de concluir o curso. Muitos pegam carona à beira da estrada, colocando em risco as suas vidas, para estar na universidade no horário determinado. Outros se desdobram em empregos fatigantes, que mal chega para cobrir os custos das infindáveis xérox, exigidas pelos professores, e assim garantir uns trocados para pagar as obrigações com a residência estudantil ou com o restaurante. Comprar livros é um luxo que eles desconhecem. Não sobra dinheiro para esse sonho. Todos têm que se valer com os que são ofertados pela biblioteca, que há tempos deixou de ser um lugar onde os ares recendem novidades. Como vemos, eles enfrentam toda sorte de dificuldade. Porém, não desistem. Insistem, mesmo ante todos os obstáculos, e se obstinam em triunfar. Tiro deles todos os dias uma lição. É possível vencer na vida, empenhando esforços contra as adversidades que nos amofina o ânimo. Hoje, mais uma vez, tomei provas dessa lição, quando vi a minha orientanda Fabíola Manoela, tomar lugar no púlpito do auditório da universidade e encerrar a sua jornada como aluna, para engrossar as fileiras da docência, com uma brilhante apresentação de TCC. Seus olhos cintilaram quando disse as últimas palavras, antes de ouvir os professores sentenciarem o seu sucesso. Suponho o que passou por sua cabeça naquele momento. Foram muitas noites insones. Mas ela conseguiu. Sou grato a ela pela parceria, e por ter acreditado em mim quando me confiou à obrigação de orientá-la. A todos os meus alunos obrigado por refundarem em mim todos os dias o gosto e o prazer pelo ensino. 



Passeio de Carro de Boi na roça do Sr. Almir

Ninguém sabe fazer festa tão bem quando o Sr. Almir. Entusiasta da cultura do Carro de Boi ele promove, vezes sem conta, festivos encontros com amigos, em torno da celebração desse veículo, que muitos achavam superado. Ontem estive, a convite de seu neto Juliano Lima, em mais um dos passeios promovido por esse carreteiro, sanfoneiro e contador de histórias. Lá também estiveram 46 carros de boi e uma centenas de pessoas. Todos gravitando à volta da alegria do Sr. Almir e família.

Admirável novo mundo



O advento da fotografia em massa contribuiu e muito para o abastardamento da fotografia. Antes as pessoas, pela raridade que era o acesso, faziam fotos procurando uma forma de expressão própria. Hoje o que mais vemos em termos fotográficos, é a tentativa das pessoas de copiarem umas às outras. Todos aspiram a ser pequenas Larissa Manoelas em posse de biquinho numa self, ou uma Kim Kardashian libidinosa, enfiada num biquíni cavado, porque assim se conquista mais likes. E são os likes que presidem a lógica que governa o sentido de qualidade de uma foto. Pouco importa o sentido de composição, a harmonia das cores, a originalidade do ângulo.Quanto maior a quantidade de likes, maior será o reconhecimento de que a foto possui algum valor. Isto sim é o que importa: os likes. Pelo visto a fotografia já viveu melhores dias.

Roger Ebert

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Apesar das opiniões em contrário, acho a figura do crítico indispensável. Assim, penso que deveria haver mais desses intrépidos pensadores nas revistas, nos jornais e nas tevês.

Mas normalmente as pessoas discordam dessa ideia. Isso porque, pesa sobre a figura do crítico a incômoda tarefa de dizer, às vezes, coisas que nem sempre agradam.

E, como todos sabem, mas fingem não saber, vivemos num mundo em que as pessoas, não toleram muito bem as opiniões discordantes.

Essa, porém é uma maneira defensiva de ver a crítica que não deixa o leitor/espectador, perceber que há qualidades na crítica que a torna relevante.

Uma delas é a sua capacidade de aguçar no leitor/espectador os aspectos mais secretos de uma obra que o olhar distraído deixou escapar.

Um gênio nesse ofício foi o americano Roger Ebert, que morreu há três anos. Durante mais de quatro décadas ele exerceu de forma ininterrupta no jornal e na tevê a tarefa de crítico de cinema.

Fez isso movido pela devoção à arte que o maravilhou nos anos de juventude e pelo deslumbre de sentia, naquele instante em que se sentava num banco de uma sala de cinema, com centenas de desconhecidos, que estava aprendendo uma forma de se conectar e simpatizar com outras pessoas, através dos desejos, dos sonhos e dos medos, de todos aqueles personagens que desfilavam diante de seus olhos.

"O GLOBO" FICOU CONTRA O TEATRO E A FAVOR DA CENSURA


Sérgio Britto e Fernanda Montenegro em “A Volta ao Lar” (1967), a peça que irritou “O Globo”

No dia 15 de setembro de 1967, com a "Ditabranda" no Poder, o jornal "O Globo", um dos mais tradicionais do Rio, assombrado com o que julgou "excesso" dos espetáculos teatrais, publicou o triste editorial Limites para o Sórdido, e um dia depois, na matéria Condenação Geral aos Excessos do Teatro (infelizmente, não foi possível localizar o autores de ambos os textos, talvez Roberto Marinho), reiterou sua posição em relação ao "escândalo" que certos textos teatrais estariam provocando na cultura do País, razão pela qual os atores estariam, assim, prestando um desserviço à arte nacional e à moral.

"O Globo" tinha em mente que o seu poder de convencimento e de persuasão era infinitamente maior do que os recursos parcos e humildes de alguns abnegados e dignos batalhadores, no caso os artistas do teatro, porque quando as ideias são disseminadas pelos formadores de opinião, num primeiro momento cultos e capacitados para julgar o que quer que seja, elas tendem a se manter fixas nas consciências - ideias que se alastram rapidamente como labaredas. Se "' O Globo' está dizendo, então é verdade", iludindo e desinformando a população menos esclarecida e alheia aos assuntos de teatro. "Eu tenho mais medo de um jornal do que de cem exércitos", dizia Napoleão. E é para ter, mesmo.

A peça da discórdia, neste caso específico, é "A Volta ao Lar", de Harold Pinter, de fato repleta de palavrões, para ilustrar uma relação familiar complicada, e os atores eram (adivinha?) Fernanda Montenegro e Sérgio Britto, a quintessência do que este teatro sofrido já produziu de melhor. Fernando Torres dirigiu o espetáculo.

Ora, se temos posta uma conflituosa e desestruturada questão familiar onde existem palavrões, o palavrão, neste caso, torna-se estritamente necessário para que se desenhe esta atmosfera no palco. Não há nenhum problema em relação a isso.

Fernanda conta em sua biografia "O Exercício da Paixão", de Lucia Rito, que naquela época vivia-se o medo generalizado. Eram ameaçados de morte, os atores representavam assombrados, algumas vezes vistoriando o palco com seguranças, outras andaram armados, e Fernanda por pouco não recebeu um disparo na cabeça quando dormia, da Segurança Nacional. Tempos sombrios, decerto, mas com a condescendência de ''O Globo'', que viu sordidez numa simples representação para um público adulto e capaz de interpretar, por si só, o que enxergava em cena.

Nem é preciso destacar os absurdos da Censura e o quanto ela foi maléfica e estúpida sobremaneira para a cultura nacional, o teatro inclusive.

O inesquecível editorial de ''O Globo'' é tão irrelevante que nem vale a pena copiar inteiro. Seguem-se apenas trechos:

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''Há algum tempo, os estádios de futebol detinham como que a exclusividade da montagem dos grandes corais pornográficos da cidade. O solista recitante puxa o coro entoando o palavrão mais adequado ao juiz da partida num instante dado, e sucessivamente, fração por fração, os da arquibancada ingressam no canto uníssono em fortíssimo sinfônico.

Mas, agora, a cidade já dispõe de outros locais, onde em matinês o público poderá diariamente ouvir não corais, mas solos de palavrões, em espetáculos que chamaríamos de pornografia de câmera. Confortavelmente instalados num teatro de poltronas estofadas e, por vezes, reclináveis, em ambiente de ótima acústica e ar-condicionado, os cariocas, a preços variáveis, ouvem atores e atrizes declamar os mais obscenos vocábulos da rica língua de Gil Vicente (que, aliás, foi autor bilíngue)

Será que não notaram os promotores de tais espetáculos que o uso imoderado do baixo calão estabelece quase sempre um conflito entre a cena e o texto? Em algumas peças desse gênero, o autor, para afetar intelectualismo, joga solto um monólogo "filosófico" - chavões sobre o absurdo da existência apanhados ao primeiro manual didático disponível -, tendo como sequência uma salva de palavras obscenas. E assim escorre a peça como aqueles detritos a caminho da estação elevatória.

Lamentável é que respeitáveis atores e sobretudo grandes atrizes nacionais (uma referência à Fernanda) liguem seus nomes a esse "basfondismo" que vai grassando do Passeio Público à Zona Sul.
É precisamente por isso que se pode classificar de obscenos esses espetáculos. Neles, o palavrão é um fim, e não um meio.

As famílias fogem do teatro, que parece preferir conquistar outro público - o dos amantes da morbidez catalogada nos tratados de Psiquiatria. Entre o teatro água-com-açúcar e o "pornodrama", existe um meio-termo válido. Alguns empresários não se dispõem a identificá-lo. Se tal situação persistir, haverá um momento de ruptura, com todos os inconvenientes que as medidas repressivas acarretam.

Que tal racionar voluntariamente o sórdido, o chulo? Não seria um movimento dessa ordem lançado agora, obra de preservação de autênticos valores teatrais? (...) Esperamos que certos empresários não transformem o teatro em criação de suínos. Há limite para tudo. A sociedade tem o dever de se defender contra os abusos."

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É preciso sempre recordar o passado, senão ele volta.
Uma matéria jornalística tem, entre outras coisas, essa finalidade: ela vira documento.
Enfim, nada mais a acrescentar.



Uma foto que resulte bem.

Uma boa foto não é uma que resulte tecnicamente perfeita. Mas uma que sugira com um número pequeno de recursos, uma mensagem que ultrapasse o que se ver de imediate. Fazer isso é muito difícil.

Harry Gruyaert

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Aprecio muito as fotografias de Harry Gruyaert. Isso porque para mim elas expressam aquele ideário simpático de beleza livre.

Luz e cor

Não estou de acordo com os que afirmam ser a fotografia colorida apenas destinada a tornar os elementos visuais preponderantes. Menos ainda acredito que o p&b tenha o potencial de gerar fotografias que apelam mais ao intelecto, enquanto que a foto colorida fala somente aos sentidos. A polarização desses estilos, em critérios tão definitivos, não me parece justa. Tanto o colorido pode ser destinado ao intelecto, quanto o preto e branco pode dirigir-se aos sentidos. O uso de um ou de outro estilo é apenas uma questão de empatia.

Entusiasmo

Ao ser destacado para realizar um livro de contos populares, que reunisse a produção italiana desse gênero literário, Ítalo Calvino vai dizer que, no meio do caminho foi tomado de tanto entusiasmo pela tarefa que essa se tornou numa paixão que rapidamente se transformou em mania. A febril compulsão pela recolha o fez dizer que, era bem capaz de trocar o seu interesse por todo o Proust por uma nova variante do conto: O Burrinho Caga Moedas de Ouro. “Havia sido capturado, de maneira imprevista, pela natureza tentacular, aracnídea do meu objeto de estudo...”. Confessará o gênio da literatura italiana. Sentirá o mesmo febril e compulsivo entusiasmo os folcloristas que hoje se lançam a campo a busca de novas versões dos contos?

O Mergulhador - Vinícius de Moraes


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O MERGULHADOR - VINÍCIUS DE MORAES.
Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.

És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.

Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.

Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.

Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.

E ponho-me a cismar… - mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!

Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.

E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.

Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.

Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.

Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.

Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.

Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

Por isso - isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa


Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!

Se de Rudyard Kipling

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!



"If", de Rudyard Kipling; tradução de Guilherme de Almeida. Em tempos nebulosos, onde palácios de governos se confundem com lupanários, e onde políticos estão absolutamente disponíveis para negociatas as abertas, If, de Rudyard Kipling restitui-nos a grandeza humana apostando naquilo que ela tem de mais honrosa: A persistência em novas atitudes , mesmo ante tão maus exemplos.